segunda-feira, 12 de outubro de 2009

mudança de endereço

só uma frescura básica:

o outro éden agora está no endereço www.outro-eden.blogspot.com.

acho que esse endereço tem mais a ver com o blog, não?

> aproveito para divulgar o blog Os Poderes e seus hereóis também conhecido como O Imaginador, no endereço www.o-imaginador.blogspot.com.

> também aproveito para avisar aos meus amigos não-blogueiros para esperarem por um convite de um novo projeto em blog... aguardem! ;]

encontro vocês nesses lugares!

obrigado!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

à margem (notas de aula)

o que direi é óbvio, mas se insisto em dizer uma obviedade dessas é porque muitos tentam se convencer do contrário: não somos iguais - e ponto. e entre as características que determinam nossas diferenças existe uma relação de ordem. seja por argumentos evolutivos 'naturais' ou provenientes das condições sociais (que também não deixam de ser naturais em sentido amplo), percebe-se quais características são superiores a outras e quais seres são mais bem adequados.

mesmo que a sociedade tenha se formado criando outros valores além dos 'primitivos', na qual um não macho alfa pode ser líder através de outras competências adquiridas, isso ainda não gera igualdade ou equilíbrio. é difícil determinar qual é mais cruel: a seleção natural ou a social (novamente faço tal diferenciação, mas sem saber ao certo até que ponto ela faz sentido).

não há o que ser feito para igualizar: sempre existirão aqueles à margem, aqueles que são deixados para trás e que, por uma questão probabilística, não têm as características adequadas para prosseguir. como já não bastasse o medo, inconsciente ou não, da solidão intrínseca do ser humano, cabe à essas pessoas ainda a triste realidade de estarem aquém, menos que os demais, abaixo da linha do mínimo aceitável. A esses não cabe consolo aqui, nem promessa de recompensa em outra dimensão. só os resta cosumir a branda e persistente chama que lhes foi dada.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

music takes us up

a coletânea music takes me up fez um sucesso estrondoso!!! foram 4 downloads, 2 ou 3 comentários e 1 presente. presente esse que venho compartilhar aqui e agora:

marcos assis, do cárdeo, montou e nos presenteou com uma coletânea. de gil a graveola, passando por frank zappa e the flaming lips. admito conhecer pouco desse pessoal e essa coletânea parece ser um bom começo para se conhecer.

such a big, old, black golden buzz (a crazy pop rock)

01 - china - um dia lindo [simulacro]
02 - the flaming lips - the abandoned hospital ship [clouds taste metallic]
03 - caetano veloso - nine out of ten [transa]
04 - graveola e o lixo polifônico - amaciar dureza [graveola e o lixo polifônico]
05 - céu - roda [céu]
06 - makely ka - eu não [autófago]
07 - morphine - buena [cure for pain]
08 - clube da esquina - trem de doido [clube da esquina]
09 - gilberto gil - crazy pop rock [gilberto gil 71]
10 - frank zappa - don't eat the yellow snow [apostrophe']
11 - frank zappa - nanook rubs it [apostrophe']
12 - nuda - maruimstad
13 - pink floyd - lucifer sam [the pipper at the gates of down]
14 - the dead lover's twisted heart - all night long
15 - paulinho moska - o último dia [+ novo de novo]


* destaque para a banda belo-horizontina graveola e o lixo polifônico. álbum completo para download no site oficial.

brincadeiras à parte, continuarei criando coletâneas com músicas da minha biblioteca, independente de número de downloads e comentários (vem aí... Astro!). o que vale nessa ideia é, além de expor também meu gosto musical, compartilhar com amigos as músicas que nos eleva!

sábado, 12 de setembro de 2009

ultimato (ou te mato)

primeiro texto de uma série... boa, espero eu.

- Bem... era o que eu temia. Você tem uma doença muito muito rara e... fatal.

Ocorreu aquele silêncio comum a essas horas... coração batendo mais forte, cabeça zonza, sentidos embaralhados. Um suspiro e a razão parece voltar, mas ainda desencontrada:

- Que doença? Como... eu... an?

- Mal de Vis... Vise. Ah! Algum nome estrangeiro do qual não me lembro agora! Enfim, nomes próprios não dizem nada. O outro nome é Mal da Consciência Plena da Existência Exdrúxula. Faz mais sentido, não é?

- Mal da Consciência... - tentava repetir o nome comprido com paciência de paciente.

- Exato! É muitíssimo rara, como já disse... e, pelas minhas contas, restam 15 dias para você.

- Quin-quinze dias pra quê? Pra eu morrer?

- Sim... é uma doença fatal, já disse. Sendo hoje dia 9, você tem até o dia 24 com vida. Se quiser, posso lhe precisar também a hora, minuto e segundo.

- Não, não precisa...

Despediu-se do médico e saiu do consultório com os exames e a receita, escrita em símbolos tipicamente médicos

"3 primeios dias: repouso e isolamento
Demais dias: realizar os últimos desejos
*Recomendo despedir família/amigos"

junto de outras recomendações de remédios pra dormir e abrir o apetite, caso achasse necessário.

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agradeço ao rennan, do agridoce, por esse belo selo:

obrigado pelo presente, rennan! só não repasso para meus amigos de blog por motivos já explicados aqui... mas é muito bom receber esse carinho! ^^

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

music takes me up

geralmente uso dois a quatro critérios para verificar o caráter e índole de uma pessoa: o quanto e como gosta de música, de chaves (o seriado da tv, "chaves del 8"), de animais de estimação e de chocolate (esses dois últimos, opcionais). acredite: é possível tirar muitas conclusões dessas coisas! e música está em primeiro lugar não por acaso. acho tão difícil não gostar de música, seja lá qual for o estilo, que se alguém disser não gostar, bem provavelmente esse alguém deve ter problemas sérios de caráter!

achismos de lado... o fato é que música me eleva.




gosto de pensar e sentir por músicas, traduzir-me em sons e ritmos. achar uma música sintonizada com um momento, seja de afeto ou desilusão. e, com certeza, não estou sozinho nessa sensação: sempre há melodias pra tudo e todos, do ninar ao réquiem. sendo assim, preparei e irei preparar sempre algumas coletâneas com essas músicas que me tocam. essa de agora terá um tema: música!

Music Takes me Up - Vários (2009)
1 - Music Takes me Up - Mr. Scruff feat. Alice Russell
2 - O Toque - Rita Lee & Tutti Frutti
3 - Halfway Home - TV on the Radio
4 - Seven - Fever Ray
5 - Versus - Ladytron
6 - You Are the Blood - Sufjan Stevens
7 - Sad Robot - Pornophonique
8 - Timebomb - The Whitest Boy Alive
9 - Iris - Hercules & Love Affair
10 - Two - The Antlers
11 - Qualquer Canção - Chico Buarque
>> download: 4shared
* agradecimentos: thg (dj & designer) ;]

possível ausência...

esse semestre vou começar a virar gente grande de verdade. agora, além de administrar meu tempo com amigos e diversão, tenho uma tese pra começar (e terminar!) e um cargo de professor pra cuidar direito. justo agora – coincidência ou não – estou cheio de vontades com o outro éden... é uma pena, mas o blog vai ter que ficar em baixa prioridade, apesar de gostar tanto dele. ainda assim, pretendo, aos poucos, ir incrementando o outro éden com as seguintes ideias:

- novo layout;
- coletâneas com as músicas que acho valer a pena compartilhar;
- mais 'histórias de outros';
- uma 'história de outros' maiorzinha, dividida em várias postagens;
- espaço para postagens de amigos não blogueiros;
- se o google wave realmente cumprir o que está prometendo, mais interatividade com blogs amigos e outros perfis na internet.

e, com certeza, precisarei da ajuda de amigos para poder implementar tudo isso!

obrigado!

sábado, 15 de agosto de 2009

o texto novo

Surgi numa madrugada, numa crise de insônia de meu autor. Apareci publicamente durante a mesma madrugada, em um blog. O segundo a me ler foi um amigo de meu autor, que logo cedo, antes do café da manhã, abria seu leitor de blogs em busca de novidades. Para sua surpresa, naquele dia eu estava lá.

Possuo um título simples - um artigo, um substantivo e um adjetivo – formado por palavras comuns. Fui assinado por alguém que publicava geralmente trivialidades. Eu era diferente: no primeiro parágrafo já consegui surpreender o amigo de meu autor. Produzi nele um incômodo, uma curiosidade. Causei uma euforia que o desafiava a completar a minha leitura. Meus parágrafos seguintes, que contam cinco, conseguiram cumprir o que o primeiro prometia. Ao ler minha última frase, já com o coração pulsando forte e os olhos vidrados, o amigo de meu autor deixou escapar uma interjeição sincera: "foda!".

Em seguida, fui repassado pelo amigo a todos seus contatos. Pela realização de alguma pequena probabilidade, ou talvez por realmente ser um texto bom, consegui repetir em grande parte dos outros leitores o mesmo efeito que tinha causado no amigo de meu autor e portanto, ser distribuído para mais e mais pessoas. Logo já era um dos textos mais acessado na internet. As frases em mim contidas eram copiadas em perfis virtuais e eu era pauta nas conversas de boteco. Alguns tiveram seu primeiro contato com a internet em minha procura... e não se decepcionavam. Logo eu estava estampado nas páginas de jornais e revistas e na mídia televisiva – o que me tornou popular na época.

Fiquei órfão logo em seguida, uma vez que muitos reinvindicaram minha autoria, de menos meu verdadeiro autor. Fui analisado em todos detalhes e em minha língua original – traduzia-se palavras, mas não a força do efeito que elas produziam quando juntas. Uns preferiam comentar sobre minha estrutura, surpreendentemente original. Outros preferiam analisar meu enredo ou contexto e outros ainda o impacto que causei e o meu poder de difusão. Cheguei a ser temido por religiosos tradicionalistas. Enquanto isso, fazia germinar novas seitas e filosofias de vida. Fui inspiração para teses e também para textos literários. Ainda forneci matéria-prima para outros artistas, que não cansavam de tentar transformar-me em sons e imagens. Seres menos criativos replicavam as ideias em mim presentes e ampliavam a lista das frases feitas, estampadas em cartões de diversas finalidades, desde declarações de amores felizes até os desiludidos. Alguns de meus trechos foram encontrados em lápides. Estudiosos chegaram a usar-me como um marco para uma nova era.

Fui a última obra revolucionária que a espécie humana concebeu. Trouxe em mim a ideia que faltava. Não era amado de verdade, mas de algum modo tinha vida e isso já me tornava respeitável. Pequeno, simples, intenso e vivo. E assim continuarei enquanto houver algo que possa interpretar os símbolos que me constituem.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

loucos devaneios, surtos dementes... e crises pleonásticas (ou síndrome do mau escritor esclarecido)

fenômeno interessante esse que acomete vários (pretensos) poetas e escritores da nova geração (refiro-me aos poetas e escritores 'amadores', desses que escrevem em blogs pessoais, divulgam seus textos pelas ruas...): um lugar-comum que consiste em desprezar a própria produção, seja por uma certa modéstia, ou simplesmente por desvalorizar para ser valorizado. 'devaneios', 'surtos', 'crises', 'demências', 'loucuras' são exemplos de palavras bonitas usadas comumente em alguns desses textos (vide outro éden, de éden-san(tana)). é como se dissessem: "é ruim, mas eu tenho consciência disso! então, não sou um completo idiota!". uma maneira de escapar da vergonha própria quando pode-se ser vítima do sentimento de vergonha alheia.

tais textos nem sempre são ruins, apenas medíocres. às vezes, nem tão medíocres... mas por que esse comportamento auto-depreciativo? falta de confiança, baixa auto-estima, medo de ser considerado 'metido a artista'? por que tanta preocupação com a crítica alheia se não se depende dos outros para por em palavras as próprias ideias e sentimentos? hum... talvez esteja aí! para quem escreve expondo sua alma, o peso das críticas é supervalorizado, logicamente, porque é uma crítica indireta à alma do escritor. mas ainda assim... se é preocupante a crítica, por que se expor? pessoas estranhas, muito estranhas...

será que, no futuro, aqueles que gostam de classificar e dar nomes aos momentos e movimentos usarão essa característica para identificar esse nosso atual? essa enxurrada de angústias, mazelas e desabafos que qualquer um pode expor e trajar de forma artística (ou pseudo-artística? o que é arte?) será digna de receber o nome próprio?

sábado, 1 de agosto de 2009

o conto da lotação

seis da manhã; despertador. era o tempo dela vestir uma blusa pueril e uma saia comprida e grossa, amarrar o cabelo, botar os óculos, coar o café pra tomar com pão e queijo. em seguida, botar as coisas na maletinha e ir para o ponto de ônibus. nem demoravam mto, mas iam cheios – horário de ir trabalhar! mas ônibus lotado não era problema para ela. pelo contrário, era seu maior prazer.

era onde costumava ter o contato mais íntimo com outras pessoas – homens, pra ser mais preciso. ia deslizando em meio aos passageiros em pé, vagarosamente, para sentir todos cheiros, toques e respirações. era tudo tão inebriante que até fechava os olhos... também, de olhos abertos, não conseguia encarar os homens e sempre abaixava a cabeça frente a um olhar – poucos, por sinal. passo a passo, ia se esticando o quanto podia para encontrar os masculinos corpos. arrebitava suas magras nádegas querendo sentir melhor as carnes traseiras dos homens por quem passava. costumava até classificá-las: classe "a" eram as pontudas e durinhas. a classificação seguia pelas outras durinhas, largas, molengas e aquelas que eram tão magras quanto às delas que nem se sentia o toque. quanto às carnes frontais, tinha um pouco de pudor...

às vezes, parava assim que batia os olhos em algum homem sentado que a interessava. ficava lá, em pé, ao seu lado, esperando que o ocupante do outro banco saísse antes dele. Imaginava também se ele poderia se oferecer para carregar a maletinha - o que ocorria raramente, já que ela não era uma pessoa que despertava alguma motivação para receber tal ajuda. quando conseguia sentar, era o ápice! olhava para o homem escolhido e cumprimentava-o com um silencioso 'bom dia'. reparava em suas mãos, coxas, o volume entre as pernas, porque para isso não era preciso virar a cabeça para observar. vez ou outra, quando achava que valeria a pena correr o risco, ia subindo o olhar para o peito, ombros, pescoço e o rosto, mas se enrubrecia e voltava a cabeça rapidamente para baixo, ou desviava o olhar para a janela, caso o moço percebesse estar sendo observado – técnicas de escape que ela desenvolveu em pouco tempo. quando pernas e braços se esbarravam, tinha até arrepios, ficava ofegante. sentia vontade de mais, esfregava as mãos nas pernas, suspirava, mexia os lábios, mas nenhum desses sinais era suficiente para que o moço do lado se interessasse. depois tentava se conter e se contentar. era sempre assim durante essa meia hora a quarenta minutos, de ônibus da manhã.

no ônibus da volta para a casa, de novo, as mesmas situações. a diferença é que os fortes perfumes da manhã eram trocados por cheiros mais naturais de homens e que ela achava mais interessante. não fosse o cansaço do trabalho ao longo do dia, poderia aproveitar mais, mas só pensava em chegar em casa e se preparar para o outro dia. “ah, se fosse de manhã!”

sábado, 25 de julho de 2009

meu lado nessa história

estou aqui tentando dar palavras para o que eu sinto agora, mas não sei fazer isso. seja porque não tenho habilidade pra lidar com material tão frágil e raro, ou porque o que quero construir é demais sofisticado pra tão pouca e simples matéria-prima. veja bem: nem determinar sua intensidade, efemeridade ou autenticidade estou sendo capaz. só sei que agora me perturba. algo vivendo de incerteza e amargando a expressão. não é novo, mas não é como antes. são muitos conceitos, sons, imagens e memórias dos últimos meses se confundindo em minha mente.

...

bobagem minha... é tudo muito simples! tudo isso tem um nome, tudo isso tem um verbo bem conhecido. é "querer", assim mesmo, intransitivo.

...

não sei porque, mas ainda não estou convencido de que isso seja tão simples.